Saiba mais sobre os Músculos Sinergistas, Agonistas e Antagonistas

O sistema muscular é algo interessante e deve ser estudado por todos que fazem musculação. Em um breve resumo vamos explicar que a estrutura muscular possui os músculos sinergistas, agonistas e antagonistas.

Quando os músculos são solicitados em qualquer movimento, ele não se contraem de forma isolada e independentemente, pois eles estão interligados pelo processo de inervação recíproca, ou seja, quando um músculo contrai, outro relaxa, isso acontece para que o movimento aconteça conforme o solicitado pelo cérebro.

Músculo Agonista

É o músculo principal, o que faz o processo de contração, para executar o movimento solicitado

O agonista pode ser formado por um grupo de vários músculos, com graus de participação diferentes. Por conta disso é que os classificamos como agonistas primário, secundário, terciário. Sendo que a ordem dependerá da intensidade e duração da atuação de cada um deles durante a contração muscular.

A título de exemplificação, com uma análise de eletromiografia, que é a ideal para avaliar agonismo, vemos que, durante a rosca direta (mãos em supinação), o músculo mais ativo é o braquial (agonista primário), seguido pelo bíceps braquial (agonista secundário) e, por último, do braquiorradial (agonista terciário).

Pois é, e você achando que era o bíceps, né?!

Seja com as mãos em supinação, seja em pronação, a ordem é a mesma, porém, quando usamos a pegada neutra, também conhecida por martelo, os agonistas secundário e terciário citados trocam de posição.

Para finalizar, músculos agonistas trabalham sempre em contração concêntrica, fechado? Vencendo a força externa aplicada nele.

Músculo Antagonista

É o músculo que relaxa, o que faz o processo de relaxamento, para fazer que o movimento seja possível de ser executado.

Os antagonistas acabam tendo como funções as de regular a potência/rapidez do movimento do agonista, fato de vital importância na proteção de nossas articulações, garantindo a manutenção da integridade dos biomateriais, haja vista que um movimento explosivo e desorientado poderia usar amplitudes maiores do que as anatômicas, lesionando lindamente os ligamentos, tendões, etc. Já pensou?

Além disso, eles ainda promovem ajustes finos na execução do movimento, para torná-lo mais preciso, como acontece momentos antes de um jogador chutar uma bola, por exemplo.

Utilizando algumas situações para ajudar a ilustrar o cenário, temos que o antagonista dos músculos anteriores do braço, que citamos anteriormente, é o tríceps. No caso do quadríceps, os posteriores de coxa (semitendíneo, semimembranáceo, bíceps femoral). Simples assim, basta pensar no movimento do músculo alvo e no do que está do lado oposto ao dele.

Ao contrário do agonista, o músculo antagonista tem praticamente sempre ação excêntrica, salvo raras exceções, como no caso de músculos biarticulares.

Agora que comentei que os tríceps e posteriores de coxa são músculos antagonistas isto se aplica a todos os casos?
Resposta: Depende. Para as classificações apresentadas neste capítulo, teremos sempre que analisar os músculos dentro de um contexto amplo. Separadamente, nada se poderá afirmar. O tríceps pode tanto ser um agonista, quanto um antagonista, dependendo da situação.

Músculo Sinergista e Estabilizadores

É o músculo que auxilia, o que faz o processo de auxiliar o agonista a executar o movimento, ele torna o movimento preciso e estabiliza o movimento

Músculos cuja ação imobiliza a articulação para que o movimento ótimo possa ser executado é chamado de estabilizador, ou seja, ele estabiliza uma região de modo que ela consiga produzir melhor desempenho ou mesmo se mexer como queremos.

O bom exemplo de músculo estabilizador é o reto abdominal, principal responsável por travar o tronco durante muitos exercícios. Se você faz aqueles abdominais no solo, do jeito mais correto, sem retirar a lombar do chão, o agonista primário do movimento é, acredite se quiser,o músculo psoas; o secundário, o ilíaco e o terciário, reto femoral.

Extras

Certamente todos que estão lendo estão muito familiarizados com o exercício flexão de braços, popularmente conhecido por “flexão”, pois bem, se fizermos uma enquete sobre agonistas nele, provavelmente obteríamos a seguinte resposta: primário é o peitoral maior, secundário é o deltoide e terciário o tríceps.

Porém, se fôssemos analisar o movimento para valer, com eletromiografia, como no caso do trabalho de SNARR & ESCO, 2013, obteríamos a seguinte informação: peitoral maior – 63%, deltoide anterior – 58,9% e tríceps braquial – 74,3%.

E agora vem a pergunta:

Caramba, Professor, flexão então é pra tríceps?

SIM

Perceberam o quão complexas são as coisas? Falar que todo mundo é sinergista também não funciona.

EXERCÍCIOS BÁSICOS X ISOLADORES

É aquela velha discussão do “peso livre X máquinas”.

Quanto mais básico o exercício, maior será o número de músculos recrutados, ou seja, aumentando ganhos em força e hipertrofia. Por outro lado, quanto mais isolado for o exercício, menor será a quantidade dos músculos trabalhados.

Portanto, seja inteligente e foque seus treinamentos nos exercícios com pesos livres e evite as máquinas, especialmente se você deseja ganhos em força e massa.

Guarde os exercícios em máquinas isoladas para corrigir determinadas falhas de força e assimetrias, para te auxiliarem no treinamento com lesões ou para dar uma variada na ficha de treino.

CONCLUSÃO

Conforme apresentado, a função de um músculo depende da análise de um contexto, não sendo possível classificá-lo de forma separada. Dessa afirmação, concluímos que um mesmo músculo pode ter diferentes funções em diferentes exercícios ou mesmo durante fases de um mesmo movimento.

Além disso, quero chamar a sua atenção para o seguinte: tome cuidado ao criar a divisão muscular dos seus treinos! Não trabalhe músculos agonistas em dias seguidos pois você estará atrapalhando o descanso deles, aumentando os riscos de lesão e overtraining.

Se você treinar peito hoje, estará treinando tríceps e ombro também. Então o ideal é treinar eles no mesmo dia ou dar um espaço de no mínimo dois dias para voltar a treinar algum deles. Para que os músculos se recuperem e ocorra hipertrofia.

 


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